8 de mar de 2017

CANÁRIOS COM GRANDE VOLUME DE PENAS








24 de fev de 2017

ÁCARO DE TRAQUÉIA



O Fantasma dos Criadores de Canários

Nomes estranhos como Sternostoma tracheacolum, mais comum, Cytodites nodus ou Psittanyssua e mais uns 30 nomes esquisitos como estes, não assustam tanto o criador de canários quanto ouvir o simples apelido "ácaro de traqueia". Estes são alguns dos tipos desse verdadeiro fantasma para os canaricultores do Brasil e do mundo.

O ácaro de traqueia encontra-se no meio ambiente, alimentando-se de detritos e poeira, instala-se oportunamente nas vias respiratórias das aves, podendo atacar a traqueia, sacos aéreos, pulmões e até mesmo ossos pneumáticos. Esses ácaros provocam lesões inflamatórias no tracto respiratório, provocando irritação e perda da "voz", e em casos extremos pode ocorrer morte por asfixia devido a alta infestação.

O tratamento de eleição para controlar esses ácaros é o uso da ivermectina, administrada de 15 em 15 dias até sanar o problema. Tomar cuidado com a época de aplicação e período de recesso na reprodução, para sucesso no tratamento.

Esses períodos devem ser analisados e determinados pelo veterinário responsável pelo plantel, de acordo com a espécie, condições nutricionais e fisiológicas da ave.
Ao se necropsiar uma ave parasitada por ácaros, encontra-se um quadro de intensa irritação do tracto respiratório (pontinhos pretos) desde a traqueia até os pulmões. Essa irritação provoca dificuldade respiratória, queda no sistema imunológico e uma consequente instalação de patologias, secundárias (Micoplasma, bactérias, vírus, fungos) que geralmente são a causa das mortes nas aves. Muitas vezes, mesmo matando o ácaro, as cicatrizes das lesões não permitem uma total recuperação da "voz", e em outros casos não se observam sequelas.

Levando-se em conta a grande extensão do sistema respiratório das aves, a cronificação dessas infecções secundárias pode tornar-se um problema de difícil solução por atingir os sacos aéreos que estão distribuídos por todo corpo. É fundamental que o veterinário diagnostique e trate essas infecções para evitar a morte do animal.

Esse é o maior erro de todos os criadores, achar que o ácaro é um problema isolado enquanto ele apenas abre portas para infecções mais sérias. A ivermectina apenas mata o ácaro, enquanto a infecção secundária deve receber a terapia específica.

Qualquer terapia não deixa de ser mais um estresse para o animal, de onde devemos concluir que a prevenção continua sendo a melhor via de sucesso na criação. Isto não significa o uso de medicamentos para a prevenção que é praticamente um crime, e sim, cuidados de manejo como alimentação balanceada e contínua (sem mudanças bruscas), ausência de correntes de vento, evitar levantar poeira no criadouro (varrições) e outras formas de estresse conhecidas pelo criador.
Com uma prevenção cuidadosa e a detecção imediata das mais discretas alterações, o fantasma torna-se o que na verdade sempre foi : Nada.

Rodrigo Silva Miguel
médico veterinário (CRMV SP 10.552)
Criador de Aves Ornamentais

QUANDO OS OVOS DE CANÁRIOS NÃO ECLODEM


No momento que a fêmea deposita no ninho o terceiro ou quarto ovo, é o momento que normalmente nós colocamos no ninho todos os ovos da ninhadaque previamente retiramos com a previsão de que o filhotes nasçam todos ao mesmo tempo, e oferecendo as mesmas oportunidades de sobrevivência. Nossa ilusão está a treze dias vistos, ainda que se dêem casos de eclosão aos quatorze ou quinze dias, de acordo com a constância de incubação da fêmea.
Se o processo de incubação inteiro é desenvolvido com normalidade, nós encontraremos ao término disto com um montinho de carne e de penas embolado no fundo do ninho. Quando isto não ocorre, o criador se impacienta e espera um dia mais; se não eclodem aos quatorze, arma-se de paciência e segue esperando, mas com frequência aos quinze dias a desilusão aparece e nós normalmente abrimos os ovos.

Quando nós quebrarmos os ovos, nós podemos nos deparar com duas situações:
* Primeiro - O embrião está vivo e a ponto de eclodir, todavia rodeiam-no vasos sanguíneos e o vitelo que nem mesmo foi reabsorvido. Esta situação pode ser devido àquelas fêmeas que não entram na febre da incubação ou até que não puseram o último ovo e seu organismo não pega a temperatura de incubação. Se não continuamos abrindo os ovos, é possível que alguns cheguem a nascer.

* Segundo - O embrião está morto; estando perfeitamente formados, mas por algum motivo não conseguiram romper a casca.


Quais foram as causas? Como podemos evitá-las? Estas são sem dúvida algumas das perguntas que normalmente fazemos. Pois bem, as causas mais frequentes parecem ser as derivadas de:

- Apouca vitalidade do filhote por motivo de criação com grande consanguinidade.
- Genes letais.
- Infecções transmitidas pelo aparelho reprodutor dos adultos.
- Abandono de incubação por momentos muito prolongados.
- Falta de cálcio na casca do ovo.
- Casca do ovo muito grossa.
- Sujeira nos ovos. VN
- A umidade ambiental.


1. Pouca vitalidade do filhote devido à criação em consanguinidade:

Em todo o criadouro com bons reprodutores, o reprodutor de excelente padrão é normalmente usado em consanguinidade. Isto assegura nossa linha de criação no sentido de conseguir bons exemplares muito parecidos com ao standart. Para fixar linhas, acasalam-se pais com filhos ou até mesmo irmãos com irmãos.

Em princípio este cruzamentos normalmente não apresentam problemas, mas, quando nós acasalamos repetidamente canários que estão muito próximos em parentesco, é quando surgem para nós problemas de vitalidade nas ninhadas; obteremos crias menores em tamanho e serão estas crias as que sempre teremos que estar atentos nelas, ao requererem mais cuidados; não cabe duvida que elas normalmente sejam as primeiras baixas que teremos no criadouro. Não temos que duvidar que o processo de eclosão requer o mesmo esforço para todos os filhotes e o menos forte terão mais dificuldade ao nascer ou não nascerão.

Recordemos como age o embrião quando se dispõe a nascer. O filhote está situado dentro do ovo com a cabeça no pólo mais largo e em contato com a membrana que separa a câmara de ar; estendendo o pescoço para cima consegue romper a membrana e o seu bico entra em contato com a casca. Por meio de movimentos rítmicos vai empurrando com o bico ia casca até que produza buraco por onde, com ajuda do dente que tem em seu bico e com movimentos de sua cabeça, ele vai rasgando enquanto gira lentamente. Quando rompe todo o perímetro da casca, os movimentos de estiramento de pescoço e ombros vai separando as casca ao meio. Pois bem, tudo isso que tem que fazer o filhote para alcançar a liberdade, causa-lhe um grande desgaste e um consumo de energia que os filhotes mais fracos não conseguem superar e morrem por esgotamento no interior do ovo, sem nem sequer romper a membrana da câmara de ar.

Para criar com consanguinidade, teremos que evitar os cruzamentos entre exemplares que estão muito próximos na árvore genealógica e sempre escolher os exemplares que mais apresentam mais vitalidade.

2. Genes letais.

Os genes que agem para formar os Intensos, brancos fatores dominantes nos darão ovos que normalmente se desenvolvem até o oitavo a nono dia de incubação, mas uns 25% da ninhada não eclodirão ao atuar estes genes sobre alguns dos ovos e estes falharão.

- INTENSO x HOMOZIGÓTICO = LETAL.
- HOMOZIGÓTICO x BRANCO DOMINANTE = LETAL.
- TOPETE (CORONA) x HOMOZIGÓTICO = LETAL


Devemos evitaremos, pois este tipo de acasalamento de Intenso x Intenso, Branco X dominante X Branco dominante e Topete X Topete, se desejarmos que nasça um número maior de crias.

3.  Infecções transmitidas para o aparelho de reprodução dos adultos.

Múltiplas são as doenças infecciosas que os adultos podem transmitir através de seu aparelho reprodutor. As mais frequentes são a SALMONELASp e a ESCHERICHIAColi". Por isso, é interessante tratar os reprodutores nos meses que antecedem a criação com algum produto farmacêutico que ajude evitar esse tipo de infecção. Por exemplo, eu utilizo a Ampicilina que é uma penicilina de ação bactericida e que trata as infecções do trato intestinal e infecções genético-urinárias. É necessário adquirir em forma de suspensão. Adosagem que eu uso é de doze gotas em um bebedouro de 60 cc. Depois de uma semana com este tratamento, eu ministro um restaurador da flora intestinal durante cinco dias. O tratamento é repetido duas vezes antes do começo da cria, com um intervalo de quinze dias. Quando nascem as crias, repito a mesma dosagem depois de passados os dez primeiros dias para continuar a seguir com água limpa.

4.  Abandono da incubação por momentos muito prolongados:

Se durante o período de incubação nós continuamos cedendo comida muito rica em gordura e proteínas é possível que algumas fêmeas sofram de um excesso de zelo e abandonem a incubação a meio para fazer outro ninho e outra postura de ovos. Desaconselho o emprego de Vitamina E e de sementes germinadas enquanto as fêmeas permanecem sobre o ninho. Também pode acontecer que tempestades à noite assustem a fêmea, que abandona o ninho e então na escuridão não encontra o caminho para continuar incubando. Esta era a velha crença de que, quando havia tempestade, os ovos tremiam e não eclodiam; todos colocávamos uma moeda de cobre para absorver as vibrações e não estragarem os ovos. De forma que isto não aconteça, eu sempre deixo uma lâmpada vermelha no centro do criadouro; se a fêmea sai do ninho à noite, ela tem a visibilidade suficiente para regressar ao ninho e não incomoda em absoluto o sono dos pássaros. Também é muito útil para confirmações noturnas. também pode ocorrer que por um excesso de zelo no macho provoque uma contínua corte à fêmea e as brigas contínuas façam com que a fêmea esteja pouco tempo no ninho. Se observarmos isto, é melhor separar o macho e destiná-lo para cobrir outra fêmea para restituí-lo quando os filhotes nascerem.

5. Falta de cálcio na casca do ovo:

A insuficiência de minerais faz que a fêmea tenha que utilizar a sua reserva na produção da casca dos ovos e deposite os ovos com uma casca muito final e inclusive com áreas sem casca que normalmente podem coincidir com o pólo inferior. Devemos oferecer à fêmea abundante mineral e osso de ciba evitar esta decalcificação. Às vezes acontece que, ao retirar algum ovo do ninho, este esteja preso ao forro e ao erguer isto arranquemos levemente a casca, com o lógico desgosto para o criador. Normalmente eleja é inútil para a incubação e nós normalmente lançamos fora. Quando isto acontece, há um truque caseiro que dá um resultado bastante bom. Consiste em recuperar a casca rompida com o esmalte que as senhoras usam. As possibilidades de incubação e nascimento são satisfatórias em uma porcentagem alta sempre que a fratura não se localize no pólo largo do ovo o que é por onde é feito o intercâmbio gasoso.

6. Casca do ovo muito grossa.

Uma casca muito dura pode impedir que o embrião, quando inicia seu nascimento, quebre a casca do ovo e morra. Sobretudo quando o embrião está escasso de forças devido a criação e consanguinidade ou infecções microbianas, como previamente comentamos. Os ovos são muito porosos para permitir a troca de gases e a ventilação do embrião, e uma casca muito grossa pode acabar impedindo que a troca gasosa seja realizada com êxito. Umedecer os ovos com água dois dias antes do nascimento, suaviza a casca.

7.  Sujeira nos ovos.

Sempre que observamos que os ovos estão sujos devido a excrementos ou porque algum se quebrou e manchou o resto, devemos limpá-los para evitar que esta sujeira impeça o trabalho do filhote ao nascer e ele possa morrer por esgotamento. Colocaremos os ovos sujos em um recipiente com água morna durante dez minutos e a sujeira desprender-se-á facilmente. Todos temos observado que uma ninhada fértil apresenta um aspecto azulado e muito brilhante e daremos conta de que a casca já não está tão áspera como a princípio, estando mais lisa e suave.

8. Umidade ambiental.

 A humidade ambiental também influencia na boa ou má marcha da incubação. Um ambiente muito seco pode acabar secando as coberturas embrionárias e afogando o filhote em sua envoltura. Se a atmosfera é muito seca, devemos colocar umidificadores ou simplesmente deixar uma ou várias bacias de água permanentemente no criadouro. Se o ambiente é muito úmido, seria muito útil a aquisição de um deumidificador que, com ajuda do higrómetro, manterá a atmosfera com o grau justo de umidade, que deve ser aproximadamente de 70%. Estas oito observações são algumas das possíveis causas da mortalidade embrionária durante o desenvolvimento incubacional. Tratemos de evitá-la para que a nossa produção anual de pássaros seja a mais frutífera possível e possamos obter um número maior de exemplares, o que nos possibilitará escolher entre eles os mais fortes e saudáveis, para assim continuar mantendo nossos planteis de canários no nível tão alto que se está ganhando dia a dia a canaricultura espanhola. Não esqueçamos de que as boas condições que tivermos em nosso criadouro e um mínimo de atenções diárias serão as chaves do sucesso. 

Clube Ornitológico Bragantino - 2006
Por Francisco Sánchez do Riva. Juiz de Cor/FOCDE
Tradução de José Luiz Amzalak

PONTO NEGRO OU PROVENTRICULITE EM CANÁRIO


 

Há alguns anos publiquei um artigo chamado “A proventriculite – O misterioso pontinho negro”. Na época pouco havia sobre o assunto nas revistas ornitológicas nacionais. Álvaro Blasina publicou, na mesma época, um artigo sobre o tema. A pedido de amigos do ABC Ornitológico retomo agora o mesmo tema, mas com um pouco mais de experiência, discussão e leitura.

Depois de tantos anos, ainda não foi descoberta a cura para esse al que aflige os grandes e pequenos criadores. Cada um tem um “jeitinho”, mas as causas reais mão tem sido combatidas adequadamente. Os veterinários brasileiros especializados em ornitologia agora conhecem a doença que mata tantos filhotes nos primeiros sete ou oito dias de vida, mas ainda não encontraram uma maneira de atacar a moléstia, porque também pouco se sabe sobre a bactéria que ataca adultos e filhotes.

Num ano que tantos criadores năo obtiveram resultados positivos, nada melhor do que retomar o assunto, por mais discutido que tenha sido até aqui.

A PROVENTRICULITE

A Proventriculite é uma inflamação do proventrículo causada por bactérias e que leva ŕ morte dos filhotes, normalmente, até o sétimo dia. Por este fato, os criadores na Itália costumam chama-la de “crise do sétimo dia”. O exame de filhotes mortos facilita a descoberta do mal: “No proventrículo cheio de alimentos no digerido, na mucosa interna do órgão, uma secreção esbranquiçada que normalmente se encontra contaminada por infecçőes secundárias bacterianas”, como observa o médico veterinário brasileiro Dr. Francis Magno Flosi.

A cor escurecida e inchada na altura do proventrículo resulta extramente do somatório da inflamação do proventrículo e do acumulo de alimentos não digeridos. Como os alimentos năo săo processados, o filhote fica inicialmente debilitado e, aos poucos, a fęmea deixa de alimenta-lo. A morte năo decorre propriamente da inflamaçăo do órgăo, mas das doenças oportunistas, como a coccidiose, salmonelose e a colibacilose.

A doença em si nem sempre apresenta sintomas exteriores nos adultos, o que năo significa que em caso agudo năo chegue a matar. Uma boa parte das aves adultas é, hoje, portadora do mal, principalmente as fęmeas, que transmitem a doença através da postura dos ovos ou ao alimentar os filhotes.

Em termos técnicos o “pontinho negro” nada mais é do que uma gastrite crônica micótica, também conhecida como micose 80, causada por uma megabactéria ainda pouco conhecida dos especialistas em aves e cuja cura está longe de ser descoberta. A origem da moléstia é causada pela microplasmose (Mycoplasma, bactéria grandenegativa), que diminui a resistęncia da ave e abre caminho para a entrada no organismo da micose 80. Esta doença foi descoberta inicialmente em papagaios criados em zoológicos dos EUA. Infelizmente, a importaçăo legal e ilegal de aves disseminou o mal por todos os países. Hoje, nenhum criador está livre dessa moléstia, mesmo que năo tenha aves importadas em seu plantel.


O QUE É PROVENTRÍCULO?

O proventrículo é um órgăo situado entre os dois lados do fígado e sua funçăo principal é produzir o suco gástrico necessário ŕ digestăo. Em outros termos, ele funciona como o regulador do pH necessário ŕ digestăo. O pH da ave deve ser baixo. A inflamaçăo do proventrículo causa o crescimento ou inchaço dos lados hepáticos e a conseqüente morte da ave por cauxa da hipofunçăo, a variaçăo do pH.

A presença de comida acumulada no papo dos filhotes é conseqüęncia da proventriculite. O filhote chega a amilemtar-se, mas năo consegue aproveitar os nutrientes do alimento e passa a sofrer de inaniçăo. Năo é incomum observarmos que filhotes nascidos no mesmo dia văo apresentando diferente crescimento até o quinto ou sexto dia. A lei natural leva a fęmea a alimentar primeiro os mais fortes e abandonar os mais fracos. Como a doença já está instalada no proventrículo, o filhote menor vai perdendo a capacidade de lutar pelo alimento e, logo, passa a apresentar mau cheiro causado pelos fungos que se desenvolvem no seu papo. A fęmea afasta-se do filhote doente para salvar o resto da prole, até abandona-lo definitivamente. As doenças oportunistas aceleram o processo de morte do filhote.

OS SINTOMAS DA PROVENTRICULITE

A proventriculite apresenta dificuldade para ser diagnosticada em adultos, porque em alguns casos necessita de biópsia. Além disso ela nem sempre apresenta sintomas exteriores e só chegando a ser diagnosticada durante o período de cria através da mortandade dos filhotes.

Nos adultos, há tręs estágios ou fases bem definidos: crônico, sub-agudo e agudo, como bem observa Luís Pires em seu artigo “A proventriculite”, publicado em 1998. No primeiro caso, a doença năo apresenta manifestaçőes exteriores e as aves sobrevivem e criam normalmente num primeiro momento, mas acabam espaçando as posturas até chegarem ŕ completa esterilidade. Nesse caso, as fęmeas săo portadoras e transmitem o mal a uma boa aparte da prole. A morte da ave adulta decorre das doenças oportunistas. Num primeiro estágio a ave perde peso e apresenta o famoso “facăo” (o peito fica delgado e agudo). Depois há o eriçamento das penas, a diarreia, a inflamação do abdomem; o surgimento de veias escuras no ventre; a dificuldade de respiração; e, finalmente a perda do movimento normal das pernas e o aparecimento de movimentos irregulares da cabeça.

Os sintomas são percebidos mais rapidamente nos dois estados seguintes – subaguda e aguda, porque todos os sintomas se manifestam logo no início da doença.

Normalmente, os criadores atribuem os problemas de mortandade de seus plantéis a outras doenças e tratam as conseqüęncias mas năo a raiz do problema. Tratamentos para coccidiose, salmonelose, colibacilose ou doenças respiratórias năo resolvem, e a moléstia continua a manifestar-se através da perda de aves adultas.

Em várias criaçőes tenho visto nos últimos anos aves com perda de movimento das pernas, aparente perda da visăo ou movimentos desordenados da cabeça serem tratadas com antibióticos que năo resolvem o mal. É bom lembrar que a proventriculite ataca o sistema nervoso central, saí as últimas conseqüęncias mencionadas. O correto é evitar a origem do mal.

TRATAR O FILHOTE RESOLVE O PROBLEMA?

No artigo que escrevi e mencionei anteriormente sugeri o tratamento dos filhotes afetados pela proventriculite com produtos como Micostatin e Clavulin misturados ŕ papinha. Entretanto, as várias experięncias e tentativas frustadas minhas, até quando mantive minha criaçăo de canários, e de outros criadores com quem mantenho contato permanente levaram ŕ constataçăo de que um filhote salvo nessas condiçőes acarreta problemas maiores do que benefícios.

Os filhotes salvos, depois de tanta energia e trabalho despendidos, năo costumam trazer qualquer vantagem. Normalmente, săo aves fracas, sujeitas a toda gama de doenças, adultos de plumagem ruim e que, no caso dos canários com fator, năo aproveitam bem a Cataxantina ou o Carophil red que absorvem.

Hoje questiono se vale a pena salvar um pássaro apenas para aumentar a média de criaçăo e depois anviá-lo, caso sobreviva, para as lojas de aves. Ou pior ainda, vender essa ave para outro criador.

Em todos os casos de filhotes doentes do meu plantel e cujos anéis tive a curiosidade de marcar até 2003, em nenhum caso obtive machos com bom aproveitamento de fertilidade e fęmeas que cuidassem normalmente dos filhotes, quando chegavam a botar e os ovos năo eram brancos. Cheguei a substituir machos que, hoje tenho certeza, eram férteis por acreditar naquela época que eram estéreis. As fęmeas é que apresentavam problemas para a postura e criaçăo. O índice de ovos brancos năo corresponde necessariamente a falhas do canário macho, porque há também ovos mal formados.

Atualmente, recomendo que se evite passar um filhote doente para outro ninho, porque essa atitude gera um mal ainda maior: a disseminaçăo da doença. Para salvar um filhote doente, colocamos em risco toda uma prole sadia e até a fęmea que năo estava contaminada pela doença. Hoje, eu optaria pelo descarte do filhote doente logo nos dois primeiros dias da descoberta da doença para năo contaminar o resto da ninhada e, por extensăo, todo o plantel.

POR QUE CUIDAR DE TODO PLANTEL?

O problema do “pontinho negro” é causado por infecçăo vertical, ou seja, a fęmea possui a enfermidade de forma crônica e transmite, através do ovo ou ao alimentar os filhotes, a moléstia para a prole. Portanto, se cuidarmos da fęmea afetada, evitaremos a proliferaçăo da doença. O mesmo cuidado deve ser tomado em relaçăo ao macho, se quisermos que ele tenha boa saúde e que haja diminuiçăo de ovos brancos.

O tratamento do plantel deve ser feito depois de consulta a um bom veterinário, de preferęncia aqueles que lidam há algum tempo com a doença, porque há tratamentos paliativos. O tratamento inicial deve ser curativo (alopático). Uma sugestăo é o uso de furoxona (NF-180), seguindo-se a recomendaçăo preventiva de2 ou 3 gramas por quilo de farinhada seca. Entretanto năo se encontra mais no mercado esse produto veterinário. O veterinário Fernando Antonio Bretăs Viana apresenta em seu estudo “Fundamentos de terapęutico veterinária” os seguintes produtos ŕ base de furoxona: Giarlan, Colestase, Mastilac e Furalidon-P. Os dois primeiros de uso humano. A soluçăo, caso năo se encontre o produto veterniário, é o uso de produto humano.

O emprego de Micostatin (Bristol Myers squibb S.A.) na proporçăo de 1 ml por litro de águra durante cinco dias também ainda tem dado resultado, como me informaram alguns criadores. O produto é um antifúngico usado para combater vários fungos, principalmente a candidíase (Cândida Albicans). Pode-se também empregar o Nisoral, na proporçăo de 500 mg por quilo de raçăo seca.

O tratamento com enrofloxacina (Baytril) é recomendável nos casos mais graves. O ideal é utilizar um grama por litro de água. Os comprimidos devem ser transformados em pó antes de serem misturados ŕ água. O clorofenicol (Quemicetina) só deve ser usado em casos extremos de resistęncia ŕ enrofloxacina. O grande perigo é que as bactérias ou vírus criem resistência a esses medicamentos. Por isso, nenhum tratamento deve ser interrompido antes de 7 ou 10 dias, com o risco de năo fazer mais efeito numa segunda tentativa.

O TRATAMENTO E OS CUIDADOS PREVENTIVOS

O tratamento profiláctico é, sem dúvida, o mais recomendado para se obter sucesso na criação de aves em cativeiro. O uso de probióticos tem trazido resultados satisfatórios para vários criadores. Entretanto, deve-se utilizar uma dosagem adequada, de preferência depois de consultar um veterinário especializado.

O uso de produtos ŕ base de metionina (Mercepton) durante pelo meno tręs dias seguidos ao męs na proporçăo de 2 ml por litro de água também ajuda a evitar que o trato gastrointestinal apresente condiçőes propícias para o desenvolvimento das moléstias. A metionina é um aminoácido que entra na formaçăo da proteína.

Suplementos minerais também ajudam como complemento e evitam a falta de cálcio. De preferęncia devem ser administrados através da areia, que deve estar sempre lavada e bem seca.

A melhor forma de evitar as doenças ainda é uma alimentaçăo saudável e balanceada. Para isso devemos adquirir uma boa mistura de sementes (variada, peneirada, isenta de poeira e fungos) e uma farinhada com boa porcentagem de proteína e boa qualidade (evite misturas caseiras com produtos adquiridos em supermercados ou próximos do vencimento). Os ovos devem ser frescos. A troca quinzenal da mistura de areia evita o acúmulo de detritos e dejetos das aves (fezes, restos de alimento azedo ou em decomposiçăo). As sementes, a farinhada e a “papinha” dos filhotes devem ser guardadas em local seco e bem acondicionados. Deve-se evitar que a farinhada feita pela manhă seja aproveitada no meio da tarde.

O ideal que o produto seja feito duas vezes ao dia. O mesmo deve ser observado em relaçăo ŕ “papinha” dos filhotes.

A limpeza do criadouro é outro ponto importante de profilaxia. O criadouro deve estar isento de poeira e fezes acumuladas no chăo ou em baldes. As gaiolas devem ser mantidas limpas, com grades trocadas semanalmente, e papéis tręs vezes na semana. O bom arejamento do local de criaçăo também é recomendável.

O QUE FAZER COM AS FĘMEAS COM PROVENTRICULITE?

Creio que o artigo foi claro ao explicar a forma de contaminaçăo da proventriculite. Portanto, a medida mais viável hoje em dia, tamanha a disseminaçăo da doença nos últimos dez anos, é retirar do plantel as aves portadores, cortando dessa forma o mal pela raiz. Dificilmente, uma ave acometida pela proventriculite, ainda que tratada a tempo, será capaz de resultar em bons filhotes para o criador. Normalmente, como afirmamos, o resultado é a esterilidade e a, conseqüente, decepçăo.

Uma boa recomendaçăo é anotar durante o período de cria os anéis das fęmeas cujos filhotes apareceram contaminados pelo “pontinho negro” e substituí-las no próximo período de cria. Esta será uma maneira de evitar um desastre no próximo período de cria.

Uma maneira de evitar a propagaçăo da moléstia é năo vender para outros criadores essas aves contaminadas, porque um dia poderemos comprar de volta a doença através de uma ave aparentemente saudável. O círculo vicioso da doença deve ser interrompido para que năo se continue a sofrer com essa calamidade que entra em nossos criadouros através de aves trazidas de fora, principalmente adultas, sem o cumprimento de uma quarentena. Năo devemos nos esquecer de que o mal pode ser evitado, se năo o espalharmos para outros aficionados da ornitologia.

José Luiz Amzalak
Revista ABC 2006

23 de fev de 2017

COMO REDUZIR A MORTALIDADE DURANTE A ÉPOCA DE CRIAÇÃO DOS CANÁRIOS

São muitos os apaixonados pela canaricultura, e também são muitos os que têm problemas com a mortalidade dos seus exemplares durante a época de criação. Em certas ocasiões é bastante difícil estabelecer as causas da morte dos canários, mas na maioria das vezes tem origem no uso de práticas incorrectas. Seguindo os conselhos que adiante demonstro, conseguiremos reduzir em grande percentagem o número de baixas.
A mortalidade pode ocorrer antes do nascimento (aborto) ou logo que o jovem pássaro se tenha libertado da casca do ovo.

ABORTOS

A morte do embrião, pode acontecer nos primeiros dias da incubação, numa etapa intermédia ou nas proximidades do nascimento.
a) As alterações cromossómicas, a presença dos pesticidas, medicamentos ou toxinas e as infecções transmitidas pelos pais são causas suficientes para que o embrião morra a poucos dias para começar a incubação.
b) A morte num período intermediário do desenvolvimento pode ser devido a uma má nutrição dos pais, os quais transmitiram aquelas deficiências aos filhotes. Assim temos a carência de vitamina como a D3, K, B2, B5, B6, B12, biotina, o ácido fólico e outras substâncias como o magnésio, fósforo e o ácido linoleico, etc., que podem ser responsáveis para mortes nessa etapa. Este defice nutricional pode ser causado indirectamente ao se abusar de antibióticos, já que estes destroem a flora digestiva capaz de sintetizar algumas das substâncias anteriores nos intestinos dos progenitores.
As infecções víricas, bacterianas e fúngicas também podem ser indicadas como responsáveis nos abortos a esta altura.
c) Finalmente a morte do canário pouco antes de nascer pode ser devido à presença de genes letais ou de alterações cromossómicas.
Recordemos que na ânsia de reparar e fixar as características relacionadas à raça dos canários com que se está a trabalhar recorremos com demasiada frequência à consanguinidade, com todos os efeitos indesejáveis que isso envolve.
O défice de vitaminas como a A, D3, e K, ácido pantoténico e fólico, ou as doenças infecciosas como “famoso ponto negro” são também responsáveis pela morte do embrião.
Ás vezes o recurso a práticas tão simples como colocar banheiras aos pais para aumentar a humidade do aviário podem evitar que o passarinho fique colado dentro do ovo, já que assim ele não se conseguirá virar para romper correctamente a casca e morrerá na tentativa.

MORTE APÓS O NASCIMENTO

Em outras ocasiões a morte ocorre após o nascimento do canário.
Algumas das causas responsáveis são:

a) Abuso de antibióticos.

É prática habitual por parte de muitos canaricultores o abuso de antibióticos nos momentos precedentes à criação e durante a mesma.

Com o pretexto da preparação para a reprodução os canários são bombardeados com cocktails antibióticos. Este mau uso dos medicamentos causa, em meu parecer, mais inconvenientes do que vantagens. Os efeitos indesejáveis que aparecem são:
- Imunodepressão: verifica-se que determinados antibióticos, como as tetraciclinas, deprimem o funcionamento sistema imunológico dos pássaros, com o perigo consequente de poderem estes ficar infectados por todos os agentes infecciosos oportunistas.

- Aparecimento de resistência bacteriana: em certas ocasiões as doses aplicadas são inadequadas e são usadas durante um tempo inapropriado. Isto pode provocar que as bactérias se possam tornar resistentes a estes medicamentos, de tal maneira que quando nós necessitarmos realmente de os dar, eles já não servirão.

- Transtornos digestivos: com os antibióticos não somente eliminamos as bactérias perigosas como também as bactérias benéficas, sendo estas as encarregadas de fabricar as substâncias úteis para o organismo do canário como as vitaminas.
- Aparecimento de infecções fúngicas: as bactérias e os fungos estão em equilíbrio no intestino dos pássaros, razão pela qual a eliminação de um dos grupos favorece o crescimento excessivo do outro. Por exemplo, quando se abusam de tetraciclinas é fácil que apareça a candidíase.
- Alteração do desenvolvimento embrionário: algumas substâncias como as penicilinas, tetraciclinas, cloranfenicois e as sulfamidas foram comprovadas que interferem com o desenvolvimento normal do embrião. Embora a maioria das investigações tenham sido feitas em antibióticos antigos, como os mencionados anteriormente, não se rejeita que os novos antibióticos não sejam também perigosos. O razoável nestes casos seria usar com precaução os medicamentos em fêmeas que estão a pôr.

b) Hipo ou hipervitaminose.

Pequenas carências de vitaminas nas fêmeas podem ser aumentadas durante a reprodução, principalmente se estas efectuam várias posturas. É que os níveis adequados para um adulto podem ser insuficientes para uma fêmea que esteja na postura.
Actualmente é possível encontrar casos de hipervitaminose, já que é habitual que os canaricultores acrescentem suplementos vitamínicos ás papas dos jovens que em geral já vêm comercializadas com os níveis necessários da vitamina. Este excesso vitamínico é igualmente prejudicial, assim como a sua deficiência.
c) Preparação inadequada dos alimentos.

A grande maioria dos criadores dos canários usa geralmente alimentos húmidos para favorecer a alimentação dos passarinhos por parte de seus pais. O uso de sementes germinadas, de cuscuz ou das papas húmidas pode ser prejudicial se não estiverem preparados correctamente ou se estiverem demasiado tempo ao alcance dos pássaros. É que as altas temperaturas e a humidade favorecem o aparecimento de fungos e bolores dos alimentos, não sendo estranho que os passarinhos de muitos aviários sofram de infecções como a candidíase.
d) Higiene Deficiente.

A época do nascimento dos jovens é um estágio de muito trabalho para o canaricultor, razão pela qual às vezes a higiene é um aspecto que se esquece mais um pouco. Isto favorece as infecções bacterianas intestinais que se traduzem nas diarreias dos passarinhos
Noutras ocasiões, com a intenção de manter mais quente o aviário produz-se uma má ventilação das instalações com os consequentes problemas respiratórios (dificuldade respiratória, sinusites, etc.) nas aves.
Estas são algumas das causas da mortalidade entre os canários jovens.
Lamentavelmente não são as únicas mas somente aquelas que mais facilmente podem ser evitadas. Nas situações da perda de vida generalizada é aconselhável requerer os serviços de um veterinário perito em aves.

Enrique Moreno Ortega - Veterinário especialista em Aves

21 de fev de 2017

O FUNGO DE UNHA EM CANÁRIOS

O FUNGO DE UNHA
(Matéria publicada na Revista Brasil Ornitológico nº 33)


(Osvaldo Vitorino Oliveira- Juiz OBJO/COM)

 
Muitos criadores de canários já tiveram a desilusão de ver um potencial campeão, aquele canário que se destacava na cor, de repente imprestável. Muitos juízes já tiveram o desprazer de desclassificar belos pássaros pela mesma razão. Já julguei exposições de canários onde mais de 10% dos pássaros foram desclassificados por serem portadores de micose em dedos. Já vi fungos de unhas em pássaros de quase todo o Brasil mas não nas proporções que ocorrem em Santa Catarina.
O fato deve estar relacionado às condições climáticas , principalmente à umidade relativa do ar. Uma consistente observação a favor desta hipótese é que a doença é mais comum nas cidades próximas de rios e do mar. É mais freqüente no fim do verão e no outono mas, nesta época, a superpopulação nos criadouros é grande. É provável que a doença seja transmissível, pois é comum vários pássaros de um mesmo gaiolão estarem contaminados.

Manifestações Clínicas

 
A doença é de difícil reconhecimento nas suas fases iniciais porque o pássaro afetado só levanta a pata doente nas fases adiantadas, quando a unha geralmente está irremediavelmente perdida. O início, por vezes, é caracterizado por lesões brancas ou amarelas ou engrossamento da ponta do dedo comprometido, fatos comuns a outras doenças das patas de canários . Geralmente o que caracteriza o quadro é a presença de uma lesão que se inicia dentro da matriz da unha e, em poucos dias, recobre toda a unha. Neste estágio a unha já está morta e não observa-se o filete sangüíneo que a nutre. A lesão não se destaca em alguns casos, pode haver contaminação secundária resultando em septicemia e morte do pássaro. As fotos mostram a doença em seus estágios avançados.

SINAIS E SINTOMAS:  Quando atacam as unhas, elas crescem em espessura, formando uma camada de cor branca em torno. Pode-se retirar essa camada que a unha aparece por baixo e, geralmente ela  se esfarela ao rasparmos. Dá a impressão que a unha cresce em comprimento também. Aparecimento de pequenas “bolinhas” nos dedos dos
canários. Paulo J. Gracioli – Revista SPCO 1998



Diagnóstico Laboratorial 

 
O diagnóstico de laboratório é difícil, pelo alto custo dos exames e por não dispormos em nosso meio de laboratórios com prática em micologia ornitológica. Por analogia com o que praticamos no diagnóstico etiológico das onicomicoses humanas, enviamos para exames micológicos, microscopia e cultura, raspado de unhas de canários doentes. Todas as amostras tiveram resultado negativo, isto é, os fungos não eram encontrados na superfície das lesões. Decidimos, então, enviar para exame histológico de dedos amputados. Como os resultados foram interessantes, serviram de motivação para que, embora reconhecendo nossas limitações, escrevêssemos este artigo. O estudo das lâminas coradas pela técnica de hematoxilinaeosina e pela técnica de Grocott (pesquisa de fungos através de impregnação pela prata), mostrou processo inflamatório crônico com edema, extasia e congestão de vasos sanguíneos e a presença de formas fúngicas em hifas curtas e blastosporos, sugestivas de Tinea verrucosum que acomete seres humanos provocando lesões verrugosas. Outra característica marcante é a ausência do filete vasculo-nervoso que nutre a unha. Caso o problema persista em nosso criadouro, vamos tentar a cultura do fungo na matriz do dedo amputado onde se encontra o principal foco.

Tratamento

 
Quando percebemos a lesão verrucosa recobrindo a unha, geralmente não há tratamento eficaz que recupere o dedo. Os cremes e pomadas a base de imidazólicos são pouco eficientes, pois não alcançam os fungos que estão localizados na matriz da unha. Os que alcançam melhores resultados são a base de oxiconazol (oceral) e bifonazol (mycospor). Os esmaltes para uso humano, com alta concentração do princípio ativo, como o tralem para unhas e o loceryl, pelas mesmas razões, também apresentam eficácia reduzida. O tratamento local que apresenta melhores resultados, embora cause espanto, é a imersão da pata afetada em ácido sulfúrico a 50% por 20 a 30 segundos, seguidos de lavagem em água corrente. Este procedimento é inócuo, não restitua o aspecto normal da unha, mas impede sua evolução. Nas onicomicoses humanas, várias drogas usadas por via oral são eficazes no tratamento da doença como os imidazólicos (cetoconazol, fluconazol e itraconazol), a griseofulvina e a terbinafina quando usados por meses. Nos canários, como não conhecemos o metabolismo destes medicamentos (absorção, níveis sanguíneos, metabolização, concentração em tecidos queratinizados como pele e unhas e vias de excreção), torna-se difícil determinar corretamente as dosagens e o tempo de uso. Já experimentamos usar em nossos canários e cetoconazol (cetonax, nizoral, etc.) n dose de 1 gr., 5 comprimidos triturados, e o itraconazol (sporanox, itranax) 4 cápsulas de 100 mg por kg de farinhada seca, por pelo menos 3 meses. Os resultados curativos forma muito pobres, mas algumas unhas onde a doença estava nos estágios iniciais recuperaram o aspecto normal. É importante ressaltar, que a incidência de novos casos no plantel diminuiu bastante, tendo o medicamento agido preventivamente.

Profilaxia

 
Algumas medidas simples, embora trabalhosas, são eficientes na prevenção de casos novos. Todas são do conhecimento dos criadores, mas muitas vezes, negligenciadas.
a) Criadouro seco, arejado, limpo, ensolarado e sem superpopulação. Lembramos que o número máximo de canários por metro cúbico de volume do criadouro é cinco.
b) Plantel sadio. Todas as aves que apresentarem o problema devem ser submetidas a isolamento e tratamento, ou amputação da parte afetada. Recomendamos a desinfecção do dedo com iodo e a amputação com bisturi ou faca aquecidos até ficarem vermelhos e nova desinfecção. O calor do instrumento promove a hemostasia. Quando ocorrer sangramento, usamos hemosthal ou uma gota de superbonder. Um procedimento prático é a utilização de instrumento para fazer gravuras me madeiras, o "pirógrafo". A extremidade metálica funciona como termocautério.
c) revisar periodicamente as patas dos pássaros, lavando com pinho sol ou outro desinfetante.
d) Poleiros. Pensamos que aí está o principal ponto de contaminação das unhas. Devem ser limpos a cada 2 a 3 semanas. Os poleiros de plástico são bem mais práticos para limpeza, além de não reterem tanta umidade.
e) Grades. Local onde o canário mais coloca as patas depois dos poleiros. Devem ser trocadas pelo menos 1 vez por semana. As grades sujas são imersas por 24 a 48 horas em água com detergente, para amolecimento das fezes, e limpas com escovas ou máquina de jato d'água sob pressão. Feito isto, devem ser novamente imersas em água com cloro, formol, iodóforos ou sais quaternários de amônia por mais 24 horas e, secas ao sol.
f) Alimentação de boa qualidade.
Por último, quando o problema é muito importante, podem-se usar preventivamente os antifúngicos orais por tempo prolongado para controlar a doença. É necessário que os criadores e clubes ornitológicos conscientizem-se da importância dos serviços profissionais de médicos veterinários. Embora existam poucos especialistas em pássaros ornamentais, é imprescindível o apoio destes para melhorarmos a saúde do nosso plantel, e só depende de nós, os principais interessados na saúde dos nossos passarinhos.