21 de ago de 2015

COMO COLORIR OS CANÁRIOS VERMELHOS MOSAICOS LINHA CLARA


Paulo César Löf  Juiz OBJO
Nos últimos tempos, se gerou uma ansiedade muito grande entre os criadores de canários mosaicos da linha clara, diante das novas regras que obrigam que a sua apresentação em concurso seja sem a pigmentação das remiges e retrizes – penas longas.
Essa novidade no manejo fez surgir muitas dúvidas principalmente no que se refere à data correta de fornecimento e retirada de pigmentantes, já que a coloração das áreas de eleição não deverá ser afetada, devendo ser o mais vermelha possível, como antes. Lembremos que o canário vermelho mosaico é antes de tudo um canário de contraste!
Através de experiência no manejo de vermelhos mosaicos, das observações durante os julgamentos e também das discussões com outros criadores e juízes, se pode dar algumas informações úteis, as quais detalharemos a seguir:

1 – Manejo de reprodutores na pré-cria

Considerando que as penas longas deverão ser apresentadas somente sem pigmentação vermelha, poder-se-ia dizer que o manejo dos reprodutores antes da cria seria dispensável, pois mesmo que o amarelo de fundo fosse bastante saliente, não faria diferença. Mas a tendência que se percebe é que têm sido mais valorizados os exemplares com as plumas longas mais claras, com menos expressão de amarelo, tendendo ao branco.
Os criadores europeus, com mais experiência, em sua grande maioria assim já procedem, preparando seus reprodutores antes da cria para que produzam filhotes de melhores características para concurso.
Portanto, é recomendável que antes do acasalamento, após a sua seleção e término de emplume, as fêmeas sejam deixadas sem consumir pigmentantes vermelhos e também que sejam pouco expostas à coloração amarela, através da redução do fornecimento de alimentos que contenham esses pigmentos, como verduras, gema de ovos, grãos com alto teor de luteína e zeaxantina (nabão, colza, milho, farelo de soja, germe de trigo, etc). Assim, os embriões produzidos (ovos) terão pouco corante nas suas reservas alimentares e as penas jovens crescerão com a cor adequada.
Normalmente, esse período de antecedência de restrição alimentar para as fêmeas é de 2 a 4 meses.

2 – Os filhotes no ninho

Durante a fase de ninho, os filhotes de vermelhos mosaicos deverão receber alimentação também com baixíssimo teor de pigmentantes amarelos e nada de pigmentos vermelhos. Dessa forma, até a sua separação também não deverão consumir alimentos como acima exemplificado. Para os criadores essa é a fase de maior cuidado, pois ainda que se busque uma correta alimentação quanto à coloração, se deve usar substitutos alimentares para que não haja carências alimentares.
Como no Brasil nossas farinhadas são produzidas em sua imensa maioria tendo o farelo de soja como fonte proteica, e sendo ele rico em pigmentantes amarelos, é necessário que o criador atente para escolher uma ração que não tenha esse componente ou faça ele mesmo uma ração – farinhada utilizando outras fontes de proteína, como a caseína do leite ou a albumina da clara de ovos. Lembre-se que as penas são quase totalmente formadas por proteínas, e a sua falta na alimentação poderá ser causadora de má formação ou demora no empenamento.

3 – O início da pigmentação com corante

Depois que os filhotes são separados dos pais ao redor dos 30 dias, já estando bem emplumados, serão normalmente postos em voadeiras e aí começará o criador a ministrar-lhe corante. Por experiência se pode recomendar que se for desejada a separação por sexo que seja feita nessa data, observando-se as máscaras levemente marcadas, porque depois, como a pigmentação ocorre em etapas, é mais difícil diferenciar os filhotes que serão quase brancos.
Muitos falam em ser aos 45 dias o período inicial de fornecimento de corante, mas experiências mostram que após os 30 dias já estarão com a formação adequada das penas longas, não necessitando mais a alimentação ‘branca’.
Nesse período e nos seguintes, deve-se cuidar para que os mosaicos não percam penas e nem as quebrem e por isso as populações nas gaiolas deverão ser baixíssimas. Poucos pássaros e muitos poleiros!
A dosagem para a adequada coloração é de 10 a 12 g de cantaxantina a 10% (Carophyl Red DSM ou Lucantin Roj Basf, por exemplo) por kg de farinhada pronta.

4 – A revisão final

Quando os pássaros já estiverem coloridos nas áreas de eleição (máscara, ombros e uropígio) pode-se cessar o fornecimento de corante e retirar as plumas quebradas ou as que não hajam sido coloridas durante o período anterior, especialmente as de cima dos ombros, normalmente amarelas.
Suas penas longas serão bastante claras e perfeitamente adequadas aos critérios exigidos em concurso, e agindo-se dessa maneira, eventuais dificuldades de manejo serão facilmente resolvidas.
Mesmo que não seja fácil a criação dos vermelhos mosaicos com esses novos parâmetros, a beleza desses pássaros certamente compensará o esforço dos seus dedicados criadores

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